Estreia a 21 de junho – “Farsas per musica”

Estreia a 21 de junho, às 22h00, no Teatro das Beiras


“Farsas per musica” de Carlo Goldoni

Espetáculo para o ar livre

O Teatro das Beiras convida-o para a estreia do novo espetáculo ao ar livre, “Farsas per musica de Carlo Goldoni, dia 21 de junho às 22h, no Teatro das Beiras. Estará em cena até 7 de Julho, de terça a sábado. O bilhete tem o preço de 6 euros (vários descontos no local).

Do autor

Carlo Goldoni (1707-1793), referência fundamental do teatro europeu do século XVIII, influenciou profundamente o gosto e a prática teatral do seu tempo operando a “reforma” do teatro italiano. Um teatro que pela sua rica tradição e mobilidade era representado em toda a Europa. Portugal esteve na rota dos autores, atores e compositores italianos. Largas dezenas de comédias, farsas e “dramas per musica” da autoria de Carlo Goldoni, foram traduzidas e adaptadas ao “gosto português” e insistentemente programadas nos “Theatros Públicos da Corte” do Portugal de Setecentos. Os teatros lisboetas do Bairro Alto, da Rua dos Condes, Real Theatro da Ajuda, Theatro do Salitre, Theatro da Graça, mas também fora de Lisboa, no Real Theatro de Salvaterra, no Theatro de Queluz, Theatro do Corpo da Guarda na cidade do Porto, havendo ainda notícias de representações no Funchal, Beja e Amarante, dão-nos a ideia da proliferação destas obras. O número de obras do autor depositadas na Biblioteca Nacional de Lisboa, Torre do Tombo, Biblioteca Pública de Évora e Sala Dr. Jorge de Faria da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra confirmam a importância do teatro goldoniano no nosso país. A grande quantidade de edições com traduções das comédias, farsas e “dramas per musica “ adaptadas e dados a ver como “comédias novas” eram representadas para um público burguês, que pouco a pouco adquiria o hábito de frequentar os teatros que com a passagem do tempo se tornavam cada vez mais populares.

 

 

Goldoni e o Teatro das Beiras

No percurso do que tem sido a prática de repertórios do Teatro das Beiras e sua revisita aos clássicos, apresentámos no ano de2000, acomédia de Carlo Goldoni “Uma das últimas tardes de Carnaval “ e mais recentemente no ano 2007 com a obra “Molière” comédia biográfica que Goldoni escreve homenageando aquele que considerava seu mestre e de quem era grande admirador.

 

A relação que vimos estabelecendo com o nosso público e os princípios programáticos das nossas escolhas, mantém no essencial e como linha estruturante desta companhia a abordagem das novas dramaturgias sempre que atentas à reflexão sobre a condição humana promovendo o teatro como um lugar patrocinador dessa reflexão. Mas também e não menos importante, a abordagem dos grandes momentos da criação dramática universal, revisitando os clássicos, mantendo viva a memória, buscando sempre o sentido dos caminhos já percorridos com a substância da matéria experimentada ao longo  do percurso civilizacional.

O espetáculo

“Farsas per musica” é uma proposta de espetáculo sustentado no perfil de um teatro itinerante de “estrado” e ar livre, numa citação contemporânea do teatro barroco marcado por uma destacada intervenção musical inspirada na tradição do teatro musical burlesco.

Espetáculo construído numa abordagem do teatro no teatro onde os atores de hoje se revêem numa prática artística que é ao mesmo tempo um exercício de representação citando os seus antepassados companheiros de ofício.

Este espectáculo é organizado a partir das farsas:  Il Matrimónio Discorde e La Cantarina . Amores, ciúmes, seduções, dinheiro e fingimentos, são ingredientes de um teatro que está prestes a deixar cair as máscaras tipo da comédia del’arte para dar lugar a personagens com traços de caráter realista e rosto humano, anunciadores de mudanças sociais que chegariam com a Revolução Francesa. A aristocracia em decadência e a burguesia em ascensão disputando no palco os seus privilégios materiais e éticas morais num tom burlesco e poético capaz de provocar o olhar curioso e complacente do espetador do nosso tempo.

Encenação: Gil Salgueiro Nave | Tradução: Luís Nogueira | Cenografia e figurinos: Luís Mouro | Música: Helder Gonçalves | Interpretação: Fernando Landeira, Pedro da Silva, Rui Raposo Costa, Sara Gabriel e Sónia Botelho | Desenho de luz: Jay Collin

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