Festival Y#09 – festival de artes performativas (Org.: Quarta Parede)

Quarta Parede – associação de artes performativas da Covilhã

“Se uma janela se abrisse”

21 de junho de 2011 às 21h30 

Auditório do Teatro das Beiras

O que vemos, quando assistimos às notícias, às oito da noite, num canal de televisão? Uma proposta da realidade. Uma empresa de jornalismo diz-nos o que é importante no espaço/tempo de um dia. E diz-nos que aquela é a realidade de que fazemos parte. Uma realidade onde, regra geral, nenhum dos nossos pensamentos ou gestos diários estão registados.

Tiago Rodrigues fez um primeiro esboço deste projecto que apresentou a solo no Teatro Maria Matos, em 2009, com o título “Outro dia”. Recorrendo à “dobragem” de vozes, substituiu as palavras de um telejornal por outras palavras, as suas, na tentativa de contar a história de um outro dia. Esta primeira experiência continua a dar mote para esta nova produção.

Substituir o discurso público pelo íntimo é o ponto de partida de “Se uma janela se abrisse”, um espectáculo que descobre formas alternativas de falar dos factos que são “notícia”. A partir daí, nasce um outro “jornalismo”, à escala humana de um palco, onde um olhar entre dois actores pode ter a mesma importância que o fenómeno do aquecimento global.

O título do espectáculo nasce dos versos de Alberto Caeiro, ele próprio versão pública da intimidade de Pessoa: “Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora / E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse / Que nunca é o que se vê quando se abre a janela”.

 

“Problemas de estar calado: as pessoas podem pensar que estamos doentes. As pessoas podem pensar que enlouquecemos. As pessoas podem pensar que não temos nada para dizer. As pessoas podem deixar de prestar atenção. As pessoas podem passar a prestar demasiada atenção. As pessoas ficam com imensas expectativas em relação à primeira coisa que irás dizer quando decidires interromper o teu silêncio. Se calhar ele está a pensar nos três desejos que vai pedir ao génio da lâmpada. Se calhar vai dizer qualquer coisa que deseja dizer há muitos anos mas nunca teve coragem. Se calhar sabe um segredo.

As pessoas esperam que estejas a pensar em alguma coisa mesmo muito séria. Uma tragédia de proporções cósmicas. Um trauma de infância. Um plano revolucionário ou um novo modelo económico com justiça social. A salvação do tigre das neves, também conhecido como tigre de Amur ou tigre Siberiano. A maioria das pessoas pensa que os tigres brancos são albinos, mas não é verdade. Os tigres brancos são tigres das neves. Têm o pêlo branco por causa da neve. Pêlo branco com riscas pretas, os olhos azuis e o nariz rosa. Se fossem albinos, os olhos é que seriam rosa e o nariz seria branco. Se estiveres calado tempo suficiente, as pessoas podem presumir que estás a pensar no tigre de Amur.”

Excerto do texto, Tiago Rodrigues, 31/5/2010

Texto e encenação > Tiago Rodrigues

Interpretação > Paula Diogo, Cláudia Gaiolas, Tónan Quito, Tiago Rodrigues e DJ ALX

Vídeo > Bruno Canas e Tiago Rodrigues

Sonoplastia e banda sonora > DJ ALX

Cenário, figurinos e luzes > Magda Bizarro e Tiago Rodrigues

Produção executiva e fotografia > Magda Bizarro

Assistência de produção > Mariana Sampaio

Apoio técnico > Vítor Pinto

Apoio > Ana Sousa Ateliê

Produção > Mundo Perfeito

Co-produção > Alkantara Festival e Teatro Nacional D. Maria II

Colaboração especial de João Adelino Faria

Com o apoio da Direcção de Informação da RTP

 

*“Se uma janela se abrisse” foi nomeado para espectáculo do ano de 2010 pela SPA.

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