O Teatro das Beiras (Covilhã) volta a marcar presença em Braga, desta vez com um espectáculo de rua, “Catavento”, trabalho dramático sobre o conflito entre o velho e o novo, o tradicional e o inovador, que o Teatro das Beiras adaptou a partir da obra homónima de G. Pulleyn e Helen Ainsworth.
Entre a mitologia e a ciência “Catavento” relata de uma forma popular e enérgica, brejeira até, o conflito entre o velho e o novo, o tradicional e o inovador, o antigo e o moderno, com toda a força de um choque frontal. À primeira vista, nada sugere ao Engenheiro, que esta pequena mulher, enrugada e de maneiras mansas, representa o maior obstáculo do que qualquer um dos serranos, que lhe venderam, doaram, alugaram pedaços de montanha, rochosas e inférteis, para a implantação da mais alta das tecnologias, para a vitória rompante da energia eólica. Mas engana-se… O que se segue é uma batalha titânica. Desde David e Golias que não se via um confronto desta envergadura. Toda a temerosa força do poder multinacional, contra a frágil individualidade de uma só mulher em fim de vida… E acabada a história, o que fica para a posteridade? Só o tempo e o vento nos saberão dizer. E estes, ao contrário de muita gente, sabem muito bem guardar segredo.
Uma dezena de trabalhos dramáticos – do popular ao erudito, do clássico ao contemporâneo, comédia ou tragédia –, protagonizados por colectivos provenientes de todo o país e de Espanha, constituem o cartaz da décima edição do “Mimarte – Festival de Teatro de Braga”, que, de 26 de Junho a 5 de Julho, regressa aos palcos do rossio da Sé, Theatro Circo e Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa.
Organizado pelo Pelouro Municipal da Cultura, o certame afirma-se como uma referência no ciclo cultural bracarense, registando ao longo das suas anteriores edições uma significativa e visivelvemente crescente adesão de público, ultrapassando o que é considerado regular em eventos congéneres.
Os princípios constituintes do Festival de Teatro de Braga radicam na convicção de que há só um público de teatro, já que «esta arte intemporal, na sua origem e natureza, é feita para um só homem, para o homem universal que inventou a mimésis, quando quis entender a essência da natureza humana e o governo divino do mundo, se quisermos aceitar este princípio hegeliano».
Desta forma, o “Mimarte” assume contornos de manifestação teatral global, que sublinham o carácter festivo do evento e o aproximam do espírito popular e das dinâmicas socio-culturais que foi desenvolvendo no decorrer de dez anos de festival.
É com base nestes princípios que o Município de Braga, através do seu Pelouro da Cultura, programa o festival nos núcleos urbanos tradicionais, carregados de memória, como o rossio da Sé e mais recentemente o Theatro Circo e o Museu D. Diogo de Sousa, para que neles aconteça uma relação de comunhão com o património edificado e com o espírito popular que lhe dá sentido.



