1º Andar – mostra de criadores emergentes 2009 consiste numa mostra de jovens criadores nacionais no âmbito das artes performativas, que decorre de 26 de Novembro a 3 de Dezembro de 2009, no Fundão ( A Moagem ) e na Covilhã ( Auditório Teatro das Beiras )
É uma organização da Quarta Parede [estrutura financiada pelo Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes], em co-produção com a Câmara Municipal do Fundão, com o apoio do Teatro das Beiras e Instituto Português da Juventude.
No Auditório do Teatro das Beiras, às 21:30, a 27 de Novembro, a Quarta Parede apresenta Dinis Machado com o espectáculo “Dramaturgia”.
Dramaturgia é o processo de gerir referentes com o objectivo de criar uma expansão artificial da realidade. Entendo assim que a arte não é um reflexo mais ou menos distorcido do real (uma cópia) mas um território artificial, nem por menos real, contíguo e com o mesmo valor de todas as outras realidades a partir das quais se expande e com as quais realiza trocas.
Assim cada artista carrega consigo um território intelectual artístico dinâmico do qual cada “obra” é um corte temporal provisório, uma pausa.
Parto da ideia da constituição do artista enquanto processo de ficcionalização. Ser artista é para mim construir o real, recusar o modelo de vida burguês e formular novas hipóteses. Fazer assim uma dramaturgia do artista, é retirar o tema e constituir a estrutura enquanto forma e conteúdo simultâneos, é pensar o que é à partida um dado adquirido, problematiza-lo e torna-lo significante. Considero que o processo de ficcionalização não depende da fuga ou descolagem do real, mas da sua articulação e consciencialização. Partirei assim para um processo de dramaturgia do “artista” feito a partir de textos ficcionais sobre artistas. Ou seja, textos onde artistas criam outros artistas, assumindo o “artista” como um outro, como um objecto que constroem num gesto auto reflexivo, idealizando-se e construindo-se – artificializando-se.
Por tudo isto quando falo de dissolução entre arte e vida não falo de uma copia muito aproximada do real ou de uma igualdade de importâncias entre real e ficcional. Quero antes concluir que ficção e realidade não são pontos que se opõem numa linha, dado que ficção é a produção de realidade e que todas as realidades são frutos de um processo de construção individual ou colectiva ficcional. Ou seja, ficção é o processo do qual uma realidade é objecto. Assim, o palco (chamemos assim por convenção a qualquer espaço cénico) não serve, para mim, como espaço invisível que deve acolher uma realidade externa, mas antes como um espaço com um funcionamento e história para o qual o artista produz uma realidade específica, habitando-o.
Dinis Machado
Ficha Artística
Um projecto de: Dinis Machado
Consultoria de: José Capela
Figurinos: Mariana Sá Nogueira
Assistência de encenação: Raquel André e António Corceiro Leal
Produção: Catarina dos Santos
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian












